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Making Of – Morada do Mal (Parte 1)

Olá amigos!

Espero que vocês estejam bem e que tenham produzido muito! Estou retornando depois de todo esse tempo de ausência da coluna Escrita Criativa aqui no Escribas.com.br,e sei que vocês sentiram falta. Foi por uma boa, melhor, uma ÓTIMA causa. Estão preparados?

(Rufem os tambores!)

(Rufem um pouco mais!)

(Rufem só mais um pouquinho!)

Terminei meu segundo livro! Sim, o segundo. O primeiro é um projeto enorme que está guardado, mas verá a luz no momento certo, por hora ele ficará intocado em algum lugar na biblioteca do Sonhar.

O livro se chama A Morada do Mal e vou discorrer sobre ele em quatro artigos, onde pretendo dividir por temas, aprofundar um pouco, dar dicas e, se possível, instigar você a adquiri-lo. Vamos seguir então?

A concepção

Depois de findar meu primeiro livro, tirei um período sabático e me dediquei a histórias curtas, onde pude expressar ideias simples, realizar pequenos ensaios e experimentações acerca do terror. Até que, meu amigo Leonardo Geranio e sua habitual megalomania que beira a genialidade, me sugeriu que escrevêssemos uma série de terror onde lugares assustadores fossem as forças motrizes de nossas histórias. Eu até topei a ideia, mas quando temos muitas opções tendemos a não escolher opção alguma. Até que vi um vídeo no YouTube, no canal Assombrado, onde eles discorrem sobre a Ilha das Bonecas, no México. Eu olhei com muita atenção e vi que poderia sair uma boa história dali. O lugar que já tem toda uma mística por trás e, além disso, o povo mexicano é muito peculiar em seu sincretismo. É perfeito! Retornei a ligação para o Léo e fechamos a questão.

Meu processo de criação é pouco usual, admito. Não quero fazer disso uma doutrina. Existem diversas formas de compor suas ideias e a minha é só mais uma delas. Eu preciso passar um tempo internalizando e massificando a história, até que ela saia. Nada de caneta, computador ou blocos. Fico no campo da abstração mesmo, vendo possibilidades, caminhos e intenções. Eu sei, isso é quase esquizofrênico, mas não existe uma fórmula certeira para isso. Esse processo de internalização consiste em traçar, na minha cabeça, uma linha mestra para a história, onde tudo é muito básico e as ideias são extremamente simples. Com isso definido, eu sento e escrevo. Costumo apagar o primeiro parágrafo algumas vezes, até que ele esteja bom e eu prossiga sem deslizes (fiz isso na Escrita Criativa antes de chegar aqui… rsrsrs). Depois disso, a própria história vai me dizendo o que é necessário, porque está tudo internalizado de tal forma, que não vai me permitir certos acidentes. Por exemplo: Você nunca vai ver uma pessoa lançando uma bola de fogo no Morada do Mal. A história não comporta isso.

O ponto de partida foi o seguinte: O que eu faria se não visse mais minha filha? Qual o sentimento? Qual o comportamento? O resto da história cresceu em volta disso. Não quero falar sobre os personagens agora, mas a história gira em torno dos 4 principais. Tracei certos pontos e fui escrevendo o suspense e o terror de forma crescente, sempre tentando fugir dos clichês típicos, mas mantendo a tensão no máximo, desde o começo.

Em uma história Character-Driven, que é o caso do Morada do Mal, os personagens do núcleo central movem a história para frente e sem eles não há como prosseguir. Quando temos o Story-Driven, tudo anda independente desse núcleo. É um exercício interessante e difícil, já que todas as atitudes precisam ser plausíveis e justificadas, baseado no estado, caráter, características e vivência dos personagens. Cada personagem tem uma personalidade própria e move uma parte da história. No final, toda a composição gera o cerne principal da trama.

Outro fator importante é a pesquisa. Como escrever sobre um lugar que eu nunca fui? Eu conseguiria escrever sobre a decadência do Rio de Janeiro, a merda dos candidatos, as olimpíadas e de como tudo funcionou até o ultimo dia, sobre a boemia da Lapa, a beleza das praias, a imponência do Cristo Redentor, mas como discorrer sobre o México? Não estive lá, mas isso nunca me impediria de escrever sobre qualquer lugar que seja. Nisso consiste a pesquisa: buscar, à exaustão, uma forma de representar um universo o qual eu não conheço. Podem ser pessoas com deficiências, profissões e até lugares, como foi o caso do livro. A pesquisa deve sanar dúvidas iniciais e tantas outras que virão. Dois lugares pediram uma pesquisa muito pesada: O canal de Xochimilco e a Praça da Constituição. Eu precisava retratar esses lugares de uma forma que o leitor fosse transportado para lá, da mesma forma que eu fui ao ver as imagens no Google (Santo Google, padroeiro dos trabalhos escolares do século 21). Pesquisar faz parte do processo, por isso, nunca negligencie uma boa pesquisa.

Por fim, mas não menos importante, eu conversei muito com meu amigo Leonardo. Tenha um bom amigo, o qual possa ler seus textos e debater sobre a concepção história. O qual tenha uma visão diferente da sua e possa te corrigir sobre algumas questões. Foram noites e mais noites debatendo algumas cenas que não ficaram tão claras, intenções dos personagens e coesão da história.

Termino agradecendo a você, que acompanha o trabalho de autores iniciantes e que você possa gostar do livro. Deixe seu comentário na página, para que possamos conversar. Sugestões são sempre bem-vindas!

Até a próxima.


Degustação no Wattpad: https://www.wattpad.com/story/87551332-morada-do-mal-degusta%C3%A7%C3%A3o

Degustação em PDF: http://escribas.com.br/wp-content/uploads/2016/10/A-Morada-do-Mal-Degustação.pdf

Facebook: http://facebook.com/escritoraescribas

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3 comments for “Making Of – Morada do Mal (Parte 1)

  1. 18/10/2016 at 12:24

    Como alguém que teve a rica oportunidade de ler a primeira versão do livro (cagada de goma em nível épico) posso dizer que A Morada do Mal em nada fica a dever a outros expoentes da literatura nacional; os quais venho acompanhando recentemente, como André Vianco, Raphael Montes, Fábio Barreto e Eduardo Spohr e etc.
    A escrita de Will é contagiante e focada em contar a história (uma boa história, por sinal). Ele não perde tempo tentando “engordar” a obra para fazer o livro ter 789 páginas. E vejo uma profunda honestidade nisso. Tudo que está no livro, realmente deveria estar ali, faz sentido, amarra pontas e conduz para o desfecho digno de um roteiro de filme de terror.
    Super recomendo!

  2. Rafael Bard
    18/10/2016 at 01:53

    Só de citar o México, já traz um certo interesse maior pela cultura. É bom ver obras que trazem coisas de culturas diferentes.
    E essa proposta de ser uma história com uma tensão constante deve ser bem desafiante na hora de escrever. Já estou instigado a ler. Que venha a pré venda 🙂

  3. Fabiola Araujo
    18/10/2016 at 00:58

    Cogitarei a possibilidade de Morada do Mal ser meu primeiro livro de terror.
    😉

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